may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she
(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she
(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)
may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she
may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she
but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she
(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she
(cccome?said he
ummm said she)
you're divine!said he
(you are Mine said she)
Déjame que me calle con el silencio tuyo.
Posted by filho de plutão
I like for you to be still
It is as though you are absent
And you hear me from far away
And my voice does not touch you
It seems as though your eyes had flown away
And it seems that a kiss had sealed your mouth
As all things are filled with my soul
You emerge from the things
Filled with my soul
You are like my soul
A butterfly of dream
And you are like the word: Melancholy
I like for you to be still
And you seem far away
It sounds as though you are lamenting
A butterfly cooing like a dove
And you hear me from far away
And my voice does not reach you
Let me come to be still in your silence
And let me talk to you with your silence
That is bright as a lamp
Simple, as a ring
You are like the night
With its stillness and constellations
Your silence is that of a star
As remote and candid
I like for you to be still
It is as though you are absent
Distant and full of sorrow
So you would've died
One word then, One smile is enough
And I'm happy;
Happy that it's not true
the working man
Posted by filho de plutão
This is the first day of my life
Swear I was born right in the doorway
I went out in the rain, suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach
Yours is the first face that I saw
I think I was blind before I met you
Don't know where I am, don't know where I've been
But I know where I want to go
So I thought I'd let you know
That these things take forever, I especially am slow
But I realized that I need you
And I wondered if I could come home
I remember the time you drove all night
Just to meet me in the morning
And I thought it was strange, you said everything changed
You felt as if you'd just woke up
And you said, "This is the first day of my life
I'm glad I didn't die before I met you
Now I don't care, I could go anywhere with you
And I'd probably be happy"
So if you want to be with me
With these things there's no telling
We'll just have to wait and see
But I'd rather be working for a paycheck
Than waiting to win the lottery
Besides, maybe this time it's different
I mean I really think you like me
1460 x 2
Posted by filho de plutão
Tem quem ame com a boca
Palavra na ponta da língua
Que deixa escapar pelos dentes
Querer da vontade, doente
Tem muito desse amor
Desse amor que evapora na pele
amor que que mancha, que fere
A colcha, o trouxa, há muito
Desse amor, minúsculo
Que roça, que mente, muito
Tem quem ame de fora
Que feche a porta, que fique dentro
Só palavra, sem tinta
Sem cheiro, cor não há
amor insípido, não é amar
Covardia é o oposto de meu bem
Gosta mal, pouco, alguém
Que ama assim, desse querer
Gosta si, de mais ninguém
amor-próprio, óbulo do medo
Entretanto, para toda via
Há um outro caminho
Há quem goste como o sol
Que acorda de manhã cedo
E diz bom dia para todo mundo
Que fez a si a gentileza
De dormir sim, porém
Sem cortina
Há quem goste como quando é de noite
No escuro, debaixo da coberta
Espanta o frio, espanta o medo
Abraça apertado, beija na testa
E depois faz um carinho
Que não deixa ninguém dormir
Há quem goste como a tarde
Quando o sol namora com a lua
Morninho, cheio de risinho
E cosquinha de astro grande
Gente nua brilhando no céu, junto
Que o único despudor que existe
É essa nudez árida
Coração terra-de-ninguém.
Gostoso é gostar assim
Como quem fabrica as horas
E tece o calendário com flores
Bem-me-quer de pétalas infinitas
E é assim que eu gosto de você.
Não gosto com corpo, gosto com a boca
Que diz a palavra que antecede a hora
Do dia que nasce, quantas vezes for preciso
Para mim e para você
Não gosto pouco, e durmo muito
Só porque noite não respeita métrica
E tudo fica pertinho e quentinho
Como um abraço de meu bem querido
Gosto tanto e tão, que mesmo no frio
- Resquício do que não era março ainda -
Não sinto medo, porque mesmo errado
O que sinto é certo
Gosto de ti, gosto sim e como
E vou continuar gostando sempre
E que isso sirva de aviso e bandeira
A me guiar pelo caminho
Gostoso é gostar de ti, e ser o sol
E dormir contigo, lua,
Na colcha, do teu lado, mão boba
Fazer um ou dois verões, por dia!
Gostoso é gostar assim.
Porque tu me eu em ti.
Gostoso é gostar assim.
Gostoso é te amar, enfim
Gostoso é poder estar
Aqui
Aqui
Bem
Aqui.
call of wild
Posted by filho de plutão
"Hail Lady of the Lake and the Merlyn of Britain,
Ancestors of those who follow the path of the
Order of the Northern Way. I summon and stir thee!
Come and be welcome in this holy place."
eu não tenho medo de ti. não, não tenho. por muito tempo me esquivei do teu grito gutural, dessa tua boca aberta, desse teu urro ancestral, por perder muito tempo por não entender esse teu jeito antigo de educar. quantos anos demoraram até eu conseguisse erguer o peso de tudo que ficou sob minhas patas, por quanto tempo o meu focinho foi curto demais e meus olhos tinham aquele cansaço de quem corre de noite e dorme de dia? hoje não, hoje não tenho mais medo de ti, e por isso eu ando descalço e encaro o norte que me chama. ando como fera, farejando o ar que me denuncia essa tua presença de bicho velho, desse teu olho que sente o meu cheiro. com passos firmes cravo as garras na carne dessas tuas árvores. tu me chamaste, sempre me chamou. hoje eu estou aqui e vim como quem vem para fazer uma toca.
tenho nada nas mãos minha senhora, nada, nem mesmo o ferro velho que me fazia sentir unicórnio entre asnos filhos do rei. tenho nada, nem mesmo a roupa tecida pelas mãos daqueles que me viram sair com a esperança de tirar a esperança de outros tão pobres quanto eu. tenho nada minha senhora, nem mais aquela benção dada quando me ajoelhei na tua pedra e pedi que iluminasse o meu caminho unicolor. não tenho o olhar do velho que, com a mão no meu ombro, quis me falar de tempos antes daqueles tempos em que a sabedoria morava no sol, não no tilojo. não tenho nada minha senhora, não tenho nada. e é nessa miséria daquilo que pensava ter que hoje cheguei aqui depois de tantos séculos, depois de tanto tempo longe da minha tribo. chego para encontrar tudo diferentemente igual: a mesma pedra, as mesmas árvores, o mesmo sol. chego, e tudo que tenho são as cicatrizes do que não entendi bem o que era.
só voltei porque nunca consegui dormir sem sonhar. de tanto matar sem morrer eu comecei a imaginar que talvez a morte não existisse para mim, que talvez ela não existisse para ninguém, e foi quando lembrei do velho e da sua mão calejada, testemunho do tempo. se a morte não existia, os anos se passavam, e cada dia longe foi como se um abismo de sal e terra pisada se abrisse entre mim e aquele tempo que eu era pequeno e feliz por ser assim. minha senhora, só voltei quando eu lembrei do velho, só voltei porque não tinha mais nada e tive medo de que a única coisa que me restava - a lembrança de um tempo - se afogasse no grito da garganta molhada daqueles que rasguei com meu chifre.
eu hoje em dia tenho uma barba que é a medida da minha ignorância. o ferro velho eu atirei de cima precipício para não atirar a mim mesmo: senti alívio ao roçar o osso minha cabeça na pedra até quando a memória do outro tempo se esvaiu em sangue de membro amputado. na distância eu me libertei do medo do estar perto de ti. foi nesse dia, que dormi na beira de um mar mais quente, que senti tua voz me chamando, o grito do norte. teu urro ecooooou longe nas encostas da terra que amaldiçoamos com nossa insanidade nada pagã. eu não tive mais medo de ti senhora, água, pedra, espírito. e foi quando eu decidi voltar e aceitar a tua reprimenda e esse teu jeito de me ensinar, que é antigo.
cheguei ontem e por muito tempo estive aqui olhando a fronteira invisível do teu domínio em mim, esse fascínio que atravessou minhas vidas e sempre me falou de uma terra que também sou eu. de onde mais poderia vir esse meu gosto pelo frio senão desse teu mar gelado e doce que beija tuas encostas, pedras despretensiosas que nunca se disseram barreira de nada? o meu amor pelo lamento desse vento, minha gaita-maior? o meu gosto pela música dedilhada aquecida pela fogueira imorredoura de tuas achas-mártires de nossa alegria? foi contigo que eu aprendi a rir esse riso que hoje é o testemunho de que me curei das coisas que me faziam triste. foi contigo que eu aprendi a ficar nu antes de me vestir. e foi no meio de ti que eu recebi meu nome e a certeza de comungar e fazer parte do culto do universo, o culto da vida: foi em tua floresta que aprendi e pela primeira vez respondi ao teu chamado, o chamado do selvagem.
eu não tenho mais medo de ti. tu és minha senhora e eu sou feito de instintos. minha carne sangrou aqui a primeira vez e é aqui que quero que ela sangre por último. aqui quero ser enterrado e que minha lápide seja larga e responda pelo nome que se dá para planta alta. eu voltei minha senhora, eu voltei para correr nu de novo, nunca mais quero ser vestido com o hábito que não seja verde como teus olhos. voltei para pedir teu perdão e voltei para me perdoar. voltei para te encontrar e para me encontrar. voltei e peço que me chame de filho mais uma vez e que me inicie no segredo antigo da religião da terra.
hoje eu estou aqui e meu nome não se pronuncia. nu eu cultuo o chão que piso e tenho um cabelo numa trança que é a medida da eternidade que me cabe, minha barba é o enfeito de meu sorriso. hoje eu estou aqui e o meu nome nada significa. eu sou filho da cruz-mais-antiga, sou feito do sol. orgulho celta, minha mãe-terra fez-me druída.
orgulho da terra, filho do sol, druída.
mãe dos celtas, mãe da terra da terra e do sol
mãe dos celtas, de todos nós
a Deusa, múltipla e única
a Deusa, mãe e querida
Eu te cultuo minha mãe. Hoje não tenho mais medo de ti.
Voltei, não tenho mais medo de ti.
On the space say:
I bind unto myself today the
Comradeship of all Earth Spirits
I bind unto myself today the
Comradeship of all Earth Spirits
- Voltei
anti-mimimi
Posted by filho de plutão
estamos doentes, todo mundo sabe disso. pai violenta a filha, o carro passa por cima do cachorro, a rua que é o lugar do público é outdoor do banal. todo mundo ri, todo mundo acha graça de alguma coisa, mas fechado em casa, sente o peso opressivo da verdade de estar sozinho. tá todo mundo sozinho porque ninguém tem coragem saber ficar só, e acaba buscando o que não tem em quem já não tinha nada para oferecer. é tudo rápido, é tudo facinho facinho. ninguém se liga, ninguém manda oi, camisinha virou item obrigatório em todo contato social, porque contato hoje em dia significa trocar fluído e não mais que isso. todo mundo se come, ninguém dorme. todo mundo fica acordado de noite, cansado de dia, cansado da vida. uns se jogam na frente de trens, outros atiram os corações para cima para ver no que dá. tá todo mundo assim, tá todo mundo pela metade. é todo mundo regra, procurando pela exceção.
falo do mundo porque é nele que pensei hoje. o mundo. séculos atrás o mundo era um quintal menor, hoje em dia ele é redondo, que é sinônimo do infinito. para constatar isso, basta caminhar: dá sempre no mesmo lugar. o que mudou foi nossa forma de dizer o que a gente não entende bem. hoje tem ciência escorrendo da lava-loiça, lavando o resto de comida do século que passou. ciência sempre vai ser isso meu bem, ela sempre vai lavar a roupa suja do mundo. ficou doente? toma pílula. ficou grávida? toma pílula. ficou triste? toma pílula. ficou com alguém? toma pílula para não ter que tomar a outra pílula que já falei. para não tomar resolução a gente toma medicação. e assim a gente vai tomando... tomando...
o totem hoje é de aço, vidro e tem fios por dentro que deixa tudo aparentemente mais colorido. bonito pros olhos, mas os ícones modernos são o inverso de Platão: são despojados de qualquer universalismo. há quem diga que esse é o preço da cultura, há que diga que desencantar é natural no processo de ficar sabido. mas quando se olha para o lado se vê que a gente sabida é a mais doente. sinceramente é difícil de entender a sabedoria em se ser infeliz.
não é o caso de jogar tudo para o alto, junto com o coração. não é o caso de começar a fazer o cumê no fogo e amarrar o Bartolomeu Bueno lá na praça da Sé. não. tem algo de errado acontecendo sim. tá todo mundo doente, e um sinal disso é esse riso frouxo com tudo que parece diferente. riem sapiens, o homo. céus, com que moral se ri dos de ontem? "a mesma mão que segurava a clava é que a aperta botões e lança mísseis". selvagens? onde? aqui?
tá todo mundo dodói. a cabeça vai mal, o coração tá pior. não tá tudo bem, tá obrigado, mesmo. mais se sobrevive-se do que se vive de fato. e aí? e agora Joseph?
sei que tá esperando, mas não, a história de hoje não tem conclusão. por que? perca de tempo dizer. você sabe muito bem o que tá errado não sabe? você lembra do que fez e do que não fez. você acorda todos os dias mais espertinho(a) do que no dia passado, então, para que ficar te lembrando das coisas? quer primavera, formiguinha? trabalhe que o inverno passa mais rápido. passa a mão no telefone, liga para aquele coração, pega naquela mão ou simplesmente não faça tudo isso consciente de que é a melhor forma que tem de respeitar aquele alguém. na vida determinadas coisas não tem remédio: pá, pum, morreu papai. agora, uma boa dieta e exercícios, dizem, ajuda a fazer o bem. ajuda, porque quem faz é você.
poupemo-nos do mimimi e do xorôrô. quando te ligar, responde. se não ligar, manda um oi mesmo assim, que gostar é o exercício da teimosia do coração tranquilo. vai lá fia, LUTE! o resto a vida se encarrega, possas crer nisso.
depois de fazer isso, dá uma ligadinha e me fala se não acordou BEM melhor no outro dia.
xêro
Men of Science
Posted by filho de plutão
- And you don't know much about science, do you?
- I know something about history. I know when I'm being threatened.
- :)
O Medo do Sagrado
Posted by filho de plutão
"In archaic and traditional societies, the surrounding world is conceived as a microcosms. At the limits of this closed world begins the domain of the unknown, of the formless. On this side there is ordered - because of inhabited and organized - space; on the other, outside this familiar space, there is the unknown and dangerous region of the demons, the ghosts, and the dead and foreigners - in a world, chaos or death or night. This image of an inhabited microcosm, surrounded by desert regions as a chaos or a kingdom of the dead, has survived even in highly evolved civilizations such as those of China, Mesopotamia and Egypt." (Mircea Eliade - Images and Symbols, 1952)
O "medo do sagrado" nada mais é que o medo do espaço desorganizado, o anti-totem mauss-durkheimiano. Muitas pessoas reclamam de querer contatos, de provas de algo para crer. Todavia, a vivência do macrocosmo, ou a experiência do sagrado enquanto locus e sujet portador de todo o discurso sobre o real (o real enquanto fenômeno do sagrado) passa por esse entendimento da estreiteza, dos limites do microcosmo que cada ser arquetipicamente constrói para si mesmo como ferramenta de consolidação da identidade, e na qual se escraviza por medo de qualquer desconstrução redunde em uma insegurança que atinja estruturas do "falso-sagrado" em si. Ver espíritos, entender runas, ler os astros como os Caldeus, meditar, ou seja, qualquer experiência extra-sensível exije o "sacrifício do intelecto". Não como os estudiosos de orelha de livro do Max Weber entendiam, mas como para os leitores do último Bourdieu: conhecer (pelo corpo, ou não) é uma experiência multifária, complexa e multidisciplinar. A razão nem sempre tem razão.
"I practiced for many years [the] exercise of recapturing that epiphanic moment, and I would always find again the same plentitude. I would slip into it as into a fragment of time devoid of duration—without beginning, middle, or end. During my last years of lycée, when I struggled with profound attacks of melancholy, I still succeeded at times in returning to the golden green light of that afternoon. [...] But even though the beatitude was the same, it was now impossible to bear because it aggravated my sadness too much. By this time I knew the world to which the drawing room belonged [...] was a world forever lost. (Mircea Eliade - Autobiography, in Ellwood, p.98-99)Conta-se no Zen-Budismo que um PhD procurou um lama para uma conversa. Chegou, sentou-se e, antes de qualquer pergunta, começou a versar sobre o que tinha estudado e aprendido, numa espécie de "introdução à minha pessoa". Enquanto falava de si, o lama lhe servia chá em uma xícara. Enquanto o doutor ia falando, e continuava a falar, o lama continuou no seu trabalho de lhe encher a xícara, até um momento que o chá começou a transbordar. O representante da academia parou, e depois de notar que o lama continuava a colocar chá, mesmo transbordando, gritou para ele "PARE! NÃO ESTÁ VENDO QUE ESTÁ CHEIO JÁ?" No que foi respondido pelo lama: "Sim, assim como você: para aprender algo sobre o budismo, você vai ter que se esvaziar primeiro".
Todos nós temos o momento da vida que buscamos o "eterno retorno" mas ainda nos sentimos presos ao "terror da história": tudo isso herança cultural de nossa educação e do costume de sempre repetir, de dar sequência aos ritos ocidentais de passagem para a Idade-da-Razão. Fitoterapia? Menos Platão, e mais chá... mas sem derramar.
Vênus em Escorpião: Um Manual
Posted by filho de plutão
Teve um dia que você foi dormir e acordou com uma certeza deitada do teu lado da cama e que disse bom dia levantou foi fazer o café e quando você desceu viu ela sentada na cozinha lendo o jornal com cara de sempre tô por aqui.com é isso mesmo tá estranhando o que misturado com um sorriso de canto de boca que você não sabe de onde mas sabe que é assim mesmo o café tá sem açucar adoçante não obrigado pão com presunto mesmo tô atrasado pro serviço mas acaba ligando e desmarcando os compromissos porque ela tá ali e se deu todo esse trabalho não custa nada é um dia só alô chefe tudo bem estou com uma gripe acordei indisposto e com peso extra na cama não sei acho que foi alguém que eu comi vai saber não sei só sei que tô meio assim mesmo tá certo amanhã eu fico até mais tarde meu relatório tá pronto sim passar bem e quando desliga o telefone ela faz um comentário inteligente que soa dentro da tua cabeça como uma revelação com sabor de hierofania diária ela é bonita papai que vontade de morder é tudo que você responde para ela com os olhos porque ela é como aquele trecho do discurso do Obama que ela mandou pendurar no teu sonho que era ontem porque hoje é ela dessa materialidade de presentinho de Zeus que se levanta sai da cozinha senta na sala e fica ali com jeito de almofada onde você coloca a cabeça e se pergunta quanto foi o jogo de ontem mas ela já sabe a resposta porque viu naquele jornal que ela tava lendo e você não porque você não tinha tempo para essas coisas até redescobrir ela numa dessas páginas que o vento da vida sopra da mão teimosa que gosta de ficar procurando aforismo em conversa velha coisa chata não dá de entender mas a gente faz e por fazer acaba sendo besta mas dia vem que acorda com a certeza do lado como falei e tudo muda inclusive o endereço da tua correpondência que agora é rua Sr e Sra tudo junto falta só o coraçãozinho no meio o correio não deixa o srsra vai me desculpar mas eu entendo amor tem dessas coisas chegou o cd com a musica toca no som é Vinícius dizendo que tua a vida é arte do meu encontro, enquanto, encanto, entre, sempre
Você fez esforço nenhum de esbarrar em mim e não pedir desculpas precisou de menos de dia para ir embora e mais de ano para voltar sei lá tava onde eu não sei demorou eu achei na época que fosse nada demais fiquei ali brincando de metade com os outros durante o tempo que não era você coisa chata vou te falar porque eu vou te falar peraí tô pensando calma eu vou te explicar direitinho porque li teu mapa e lá diz olha toma cuidado que ela é assim mesmo tudo bem eu sei que você é o que é mas quem não gosta de um xamego é bobo e boba você não é que te acho bem esperta tanto que no meu sonho quando ainda não era você eu sempre recitava aquele poema difícil pedacinho dele só para te ouvir dizer o resto e eu ria bobo porque tinha encontrado meu poema metade que é complicada pra cacete vou te falar meu amigo que trabalho ela me dá ela eu digo que gosto ela reclama eu digo que quero bem ela quer saber porque eu abraço ela pula eu beijo ela eu só assim vou te dizer adoro arredia selvagem delicada profunda única preciosa valiosa feita à mão esculpida por papai meu chapa e mamãe minha querida grato que sou como grato devia ser todo mundo a quem te dá um presente que dura o natal que dura a tua vida, toda, com, ela, sempre
Era isso que tinha para te dizer e não encontro jeito melhor que não seja assim e também acho mais coerente até pra evitar burburinho de final de aula eu tenho vênus em escorpião gosto demais gosto muito gosto verticalmente dentro e quando a coisa vem vem assim mesmo atropelada tomando espaço e me despertando do sono que era e não era com você é que eu sei que tá tudo bem obrigado com açucar sal e os gols da rodada só golaço que 0x0 só acontece em partida de mentirinha quando nenhuma das partes parte para o ataque fica aquela retranca eu não sei você tá por lá eu tô por aqui vamos com calma no dos outros que pros meus olhos encrenca pouca é bobagem gosto do difícil mesmo, gosto de você, mas
Se está difícil acompanhar, tudo bem: vamos com calma. Pingo aqui, pingo ali, pingo no ï que precisar. Falei de mim mas sei quem tem o ti aí. A certeza é minha amiga, e eu sou o seu. Minha amizade vem junto no mesmo pacote das coisas sentidas. Eu me conheço e não conheço outro jeito que gostar que não seja a sinceridade radical da notificação da entrega da alma. Eu a partir de hoje não respondo mais pelos exageros, somente pela prática consciente do afeto totalmente desmedido.
Mas se mesmo assim estiver difícil, vamos lá prestar o respeito à astrologia:
Eu te amo, Querida.
E isso é tudo.
Salve Jorge
Posted by filho de plutão
Eu avisei, em outro momento, que o mundo é redondo, nada oco, com recheio de terra e tinta azul. Disse também que longe é sinônimo de não tardo, que tô logo ali, basta dormir. Alertei para a incoerência de achar tudo sem querer dar nada, de não esperar e querer que eu volte. Falei do que tinha dentro, do que via fora, e até do que não entendia. Fiz macarrão de madrugada para esperar que chegasse a musa daquilo que queria te dizer. E apesar de tanta cerimônia, e falta dela, você não acreditou... e agora, depois do fantasma a certeza: no more talk of darkness.
Só quem abraçou um timão sabe da alegria de dia de verão. Só quem viveu anos no escuro de si mesmo aprende a valorizar a luz que chega no sorriso que cruza o mar. Só quem ficou surdo de tanto que gritou aprecia o silêncio macio que ecoa na tua voz, cotonete do túnel da alma. Ter-te, mesmo que em esperança, sinônimo de futuro, é melhor que brigadeiro, ou lagosta. Como é bom todos os dias não ter certeza de nada, desse mistério de óleo de linhaça que banha o que está por vir. Mil vezes a ignorância de amanhã, com o seu susto de estou chegando, do que essa falsa alegria do lá e aqui. Não me resta nada agora, a não ser sorrir, com esse sorriso bobo de quem vê a porta se abrir sozinha.
Não é o momento de falar da minha luta, do meu sangue, da espada nua e da calçada. Não é mesmo momento de cantar o Bojador, nem mesmo rir da dor. Não é a hora de parecer soberano, de rir do encanto do "eu te disse". Naaaada disso. Eu quero mesmo é ficar calado, nesse quietismo estético de terceiro andar. Eu me contento com a janela aberta, com o vento e com o inverno que, subitamente, deixou de ser frio. Tudo que quero é pingar café no jornal, e nesse espetáculo de gota escura, prestar minha reverência ao não dito, ao ainda não vivido, e ao que está por aí, que apesar de aportar em duas semanas ou três, ainda é caminho.
Seria incoerente pensar diferente agora, eu que gritei junto como velho no Restelo: Trípoli acabou se mostrando meio pedaço de chão entre onde estou e o de onde vieste. E para todo mundo que me esperava Marco Polo com a bolsa cheia de fogo de artifício, eu acabo sendo um embuste: eu gosto mesmo é de fitar o mar, de preferência de noite, quando ele tá quentinho.
Não, eu não abandonei o exagero, mas guardo ele para a hora certa: mão na outra, cabelos e o enterro da palavra. Sou Alexandria por dentro, farol-em-olho de tua embarcação. Mas dessa luz suave de cobertor grande em cama pequena para nós dois: não discrimina nem mesmo dedo mindinho, por miudinho que seja.
Cá estou e esse meu ofício: sigo vigia. Semanas para a promoção e tudo o que tenho a dizer aos colegas de profissão é meu muitíssimo obrigado. Mas agora, com vossa licença e a benção de Jorge, en sha Allah, vou em frente.
Salve!
Mais uma Canção
Posted by filho de plutão
The weight of the world
is love.
Under the burden
of solitude,
under the burden
of dissatisfaction
the weight,
the weight we carry
is love.
Who can deny?
In dreams
it touches
the body,
in thought
constructs
a miracle,
in imagination
anguishes
till bornin human--
looks out of the heart
burning with purity--
for the burden of life
is love,
but we carry the weight
wearily,
and so must rest
in the arms of love
at last,
must rest in the arms
of love.
No rest
without love,
no sleep
without dreams
of love--
be mad or chill
obsessed with angels
or machines,
the final wish
is love
--cannot be bitter,
cannot deny,
cannot withhold
if denied:
the weight is too heavy
--must give
for no return
as thought
is given
in solitude
in all the excellence
of its excess.
The warm bodies
shine together
in the darkness,
the hand moves
to the center
of the flesh,
the skin trembles
in happiness
and the soul comes
joyful to the eye--
that's what
I wanted,
I always wanted,
I always wanted,
to return
to the body
where I was born.
Dejà Touché
Posted by filho de plutão
Eu queria saber um jeito mais simples de complicar as coisas, de contar para 2009 tudo que contei para 2008. De dar risinho de banda, de apagar nome do celular. De deletar o orkut, msn, escrever carta à mão e só assinar recibo. De não aparecer em foto nem saber nome de monumento. É... queria isso tudo sim, e queria desse querer que a gente tem por ficar confuso quando pensa em ti.
Tô loco não fia. Antes eu fosse frase feita, punho do Machado. O problema (porque para a física moderna, ainda é um problema) é esse tal do te-querer-bem. Explico: tô gostando de ti pra caraças, tais a saber? O problema (ele, ainda) nem é esse (não?), o problema (ah..) é que isso é verdade de quadro-negro: fica lá, quase fórmula, variável, noves fora. Sem problema (hã?), pensei comigo, rasgo a toga, tiro a roupa, me jogo na cama e faço peso em cima de ti, 83 kgs de verdade nua e crua: eu te amo. Legal é assim, porque quem cuida, sua. Mas aí, vi que o problema (dela?) não era falta de giz, nem de roupa, mas de boca: quem tem, vai, ou devia ir, ao menos, mais.
Marcha-ré na caravela, dos panos não bebo os vinhos, foimaussouromano.com. Sim meu bem, sou total a favor do desassombro, e não me impressiono com filosofia de parquímetro. Tô aqui mesmo, e aqui não é nada mais que esse lugar que me elegeu para me dizer algo que eu ainda não escutei porque confundia letrinha. Distância é mentira de olho, que é redondo mas não tem essa sabedoria de bola, que é o mundo.
Por isso, foi só não escutar tua voz, foi só tu me dares o ensejo de praticar a imaginação (essa vilã, sede da metafísica), que num passe de mágica coração saiu nadando. Nada enxuto foi se esparramar ao teu lado. Escutou o cheiro das tuas palavras, anotou o gosto do teu "querido" e veio de volta em vôo fretado, que tá frio, dá licença, inverno aqui é coisa séria. Chegou rindo e tá até agora ali no sofá, com jeitinho de almofada de veludo.
Mas, apesar de não pesar, tens essa tua mania esquisita de matéria obrigatória: estatística aplicada ao que criatura? Sejamos irrazoáveis s'il vous plaît. Quando não é isso, é essa coisa de verão em Harvard: sempre um riposte, sempre um deboche no gramado das pequenas coisas que eu plantei para a gente rolar por cima. Tudo que eu queria era pensar em leite quente, lua, nua. Tu achas divertido ficar brincando com brincadeira séria. Confabula sozinha, faz tabuada, e depois de se confundir todinha com o simples, volta para casa sozinha, confia no tempo (pouco) e fica me dizendo louco, eu, logo eu que não faço a mínima questão de tanta questão.
Pensar em ti é uma das partes boas do dia, tanto que em vez de descer em picadilly fui bater lá depois de green park, que eu achava ser a porta da tua casa, cemitério do tá longe. Penso com a parte boa das tripas, e com as danadas também, que sou filho de plutão, aqui tá frio, pensar esquenta, dá licença, obrigado.
O que me resta por agora é isso. Sei que achas um tanto de coisas de mim, mas isso tudo é porque não encontraste em mim o que, em verdade, está contigo. Não tenho nada melhor para oferecer senão meu respeito, meu carinho e minha adoração silenciosa. Como mármore velho, eu só pareço estar fitando o nada. Tenho você aqui, e apesar de morena, vou te dar essa chance.
No mais, dê um abraço no futuro quando o ver de novo. Aproveite e dê também um beijo, uma banda e uma cama: eu vou adorar.
Xêro e até daqui a pouco.
Atherton Road to Everywhere
Posted by filho de plutão
foto: nossa, the tower bridge
(...)
Above all ryvers thy Ryver hath renowne,
Whose beryall stremys, pleasaunt and preclare,
Under thy lusty wallys renneth down,
Where many a swanne doth swymme with wyngis fare;
Where many a barge doth saile, and row with are,
Where many a ship doth rest with toppe-royall.
O! towne of townes, patrone and not-compare:
London, thou art the floure of Cities all.
Upon thy lusty Brigge of pylers white
Been merchauntis full royall to behold;
Upon thy stretis goth many a semely knyght
In velvet gownes and cheyn{.e}s of fyne gold.
By Julyus Cesar thy Tour founded of old
May be the hous of Mars victoryall,
Whos artillary with tonge may not be told:
London, thou art the flour of Cities all.
(...)
- William Dunbar
Assinar:
Postagens (Atom)






